Acabo de chegar do cinema. Assisti ao filme O curioso caso de Benjamim Button. Só posso dizer que é uma obra-prima!
Não quero contar a história, isso é fácil encontrar em sites... Quero escrever um pouco sobre o tempo, tema que está mais do que presente (passado e futuro) no filme, e em mim, e em todos. Não há poeta que nunca tenha refletido em sua obra sobre o tempo. O que mais lembro agora é Cazuza cantando "Não, o tempo não pára" e toda a saga da família Terra Cambará, contadas por Erico Verissimo na também obra-prima O tempo e o vento.
Entretanto, todas essas formas de retratar o tempo, sua passagem, suas marcas diferem da de Benjamim Button. Tive grande identificação com o personagem por ele ser ao contrário, que é como me sinto várias vezes... O tempo é feito de momentos, de encontros e desencontros, de memórias que são esquecidas e lembradas, de registros. O tempo vai passando e as coisas vão mudando, e as coisas vão permanecendo iguais, e nós vamos mudando, e nós seguimos permanecendo os mesmos. Inevitável. Por isso, como diz uma frase algumas vezes repetida no filme, mas que já não lembro na íntegra "podemos espernear, brigar, nos revoltarmos. Mas chega uma hora em que precisamos let go". Coloquei em inglês porque faz mais sentido. Explico: Let go é traduzido como aceitar no filme, mas não significa bem isso, ao meu ver. Let go pode ser deixar ir, deixar partir. Assim como fazemos com o tempo. Não importa o que aconteça ou o que deixe de acontecer, precisamos deixar o tempo fluir, aprender a viver novamente, todos os dias, todos os momentos, o tempo inteiro. No filme A massai branca, sobre o qual já escrei aqui, está presente um amor que let go.
Assistir ao Curioso caso de Benjamim Button é sofrido, é difícil, mas não é perda de tempo. Há poesia na fotografia, na maquiagem, na história, na interpretação de Cate Blanchett, mais linda do que ela própria.
Chamo a atenção para a presença de tempestades. Como Ana Terra costumava dizer "Sempre que acontece alguma coisa importante está ventando", significando passagem, renovação, mudança. Neste filme, sempre que acontece alguma coisa importante há uma tempestade, significando a revolução, o caos que se insere dentro de cada um de nós no momento em que o tempo nos marca.
Há ainda outros elementos do tempo no filme, como o relógio que gira em sentido anti-horário, mas este post já está grande o suficiente. Se maior ficar, ninguém terá tempo de ler, nos dias corridos de hoje.
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009
Funk do Suassuna
O título parece contraditório? Assista, não é preciso comentários...
http://www.youtube.com/watch?v=0D92AS8HqLA&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=0D92AS8HqLA&feature=related
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009
Tempo de definições
“Só que homossexualidade não existe, nunca existiu. Existe sexualidade – voltada para um objeto qualquer de desejo. Que pode ter genitália igual, e isso é detalhe. Mas não determina maior ou menor grau de moral ou integridade”.
Caio Fernando Abreu
"Homossexual é exatamente isso: duvidoso, instaurador de uma dúvida. Em outras palavras: algo que afirma uma incerteza, que abre espaço para a diferença e que se constitui em signo de contradição frente aos padrões de normalidade. Ou seja, trata-se do desejo enquanto devir e, portanto, como afirmação de uma identidade itinerante."
João Silvério Trevisan in Devassos no paraíso p. 43
Caio Fernando Abreu
"Homossexual é exatamente isso: duvidoso, instaurador de uma dúvida. Em outras palavras: algo que afirma uma incerteza, que abre espaço para a diferença e que se constitui em signo de contradição frente aos padrões de normalidade. Ou seja, trata-se do desejo enquanto devir e, portanto, como afirmação de uma identidade itinerante."
João Silvério Trevisan in Devassos no paraíso p. 43
Indignação
Após a doçura de Drummond, um post indignado
Na página inicial do msn tinha uma chamada de notícia do Big Bosta Brasil: Fulana dança funk e fulano fica com ciúme.
Aqui vai meu recado: MSN, não me importa quem dança ou deixa de dançar funk, e quem sente ou deixa de sentir ciúme. Minha vida é mais interessante, entretanto não permito expô-la a todo o Brasil.
Na página inicial do msn tinha uma chamada de notícia do Big Bosta Brasil: Fulana dança funk e fulano fica com ciúme.
Aqui vai meu recado: MSN, não me importa quem dança ou deixa de dançar funk, e quem sente ou deixa de sentir ciúme. Minha vida é mais interessante, entretanto não permito expô-la a todo o Brasil.
Poema de Drummond
Cantiga de viúvo
A noite caiu na minh'alma,
fiquei triste sem querer.
Uma sombra veio vindo,
veio vindo, me abraçou.
Era a sombra do meu bem
que morreu há tanto tempo.
Me abraçou com tanto amor
me apertou com tanto fogo
me beijou, me consolou.
Depois riu devagarinho,
me disse adeus apenas com a cabeça
e saiu. Fechou a porta.
Ouvi seus passos na escada.
Depois mais nada...
acabou.
Carlos Drummond de Andrade (Sentimento do mundo)
Li esse poema e o achei tão lindo que merecia ser postado neste blog. É triste, mas a tristeza tem um que de melancolia, de dia chuvoso e cinzento que me atrai, me fascina, me seduz. Ainda mais quando a tristeza é doce e intensa, como o poema. O amor vem, fogoso. O amor vai, saudoso. E com a falta que ele faz é que ele sobrevive.
A noite caiu na minh'alma,
fiquei triste sem querer.
Uma sombra veio vindo,
veio vindo, me abraçou.
Era a sombra do meu bem
que morreu há tanto tempo.
Me abraçou com tanto amor
me apertou com tanto fogo
me beijou, me consolou.
Depois riu devagarinho,
me disse adeus apenas com a cabeça
e saiu. Fechou a porta.
Ouvi seus passos na escada.
Depois mais nada...
acabou.
Carlos Drummond de Andrade (Sentimento do mundo)
Li esse poema e o achei tão lindo que merecia ser postado neste blog. É triste, mas a tristeza tem um que de melancolia, de dia chuvoso e cinzento que me atrai, me fascina, me seduz. Ainda mais quando a tristeza é doce e intensa, como o poema. O amor vem, fogoso. O amor vai, saudoso. E com a falta que ele faz é que ele sobrevive.
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009
Muito engraçado
Título besta, mas conteúdo muito engraçado:
http://pimentanodooutro.blogspot.com/2009/01/como-medir-um-homem-na-escala-entre.html#links
http://pimentanodooutro.blogspot.com/2009/01/como-medir-um-homem-na-escala-entre.html#links
terça-feira, 3 de fevereiro de 2009
A massai branca
Soneto de Fidelidade
Vinicius de Moraes
De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.
Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento
E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.
Vinicius de Moraes, "Antologia Poética", Editora do Autor, Rio de Janeiro, 1960, pág. 96.
Mais uma vez escrevo sobre um filme. Não pretendo escrever só sobre filmes, mas enfim, é o que tenho feito...
Dessa vez, assisiti ao filme A massai branca, de Hermine Huntgeburth. O filme é excelente.
Trata-se de uma história de amor. Linda? Não. Feia? Muito menos. A história de um amor que pode ser escrito assim AMOR, com todas as letras maiúsculas.
Seria lindo e maravilhoso poder dizer que o amor vence qualquer fronteira, seja física, línguística, de gênero, cultural e outras tantas. Das que acabo de listar, creio que o amor sobreviva, e com boa vontade e colaboração mútua, até consiga superar alguns obstáculos. Mas a questão cultural é complicada. Podemos não perceber, mas estamos tão acostumados com nossa cultura, que é difícil viver em outra. Falo isso em teoria, na prática não sei como é.
Por que disse que a história é de AMOR? Porque a Massai Branca e o Massai negro, após alguns anos de amor, compreendem que chegou um ponto em que a vida juntos não faz mais sentido. Ela parte, ele deixa ela ir.
Lembrei de uma história que alguém que amo me pediu para ler. Chama-se O Pássaro Encantado, de Rubem Alves. É sobre amor e liberdade. Uma história perfeita!
Também acho linda a história de amor do filme O Fantasma da Ópera, o último feito, não lembro o nome do diretor, só lembro que o fantasma é Gerard Butler e Minnie Driver é a Carlotta. (eu sei que to conectado na internet e com alguns clics acharia tudo, mas tô com preguiça ponto). O fantasma compreende que Ms. Daee não ama ele, ama outro, mas não sente repulsa por ele, ao contrário, gosta dele como ele é. Então, ele deixa que ela viva seu amor por outro homem. O amor deles é verdadeiro.
Há outro filme de amor que eu amo (perdoem a repetição da palavra amor). Mas isso fica pra outro post, pois vale um texto enorme, hehe. Pra não ser muito chato, o nome é Imagine eu e você.
Vinicius de Moraes
De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.
Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento
E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.
Vinicius de Moraes, "Antologia Poética", Editora do Autor, Rio de Janeiro, 1960, pág. 96.
Mais uma vez escrevo sobre um filme. Não pretendo escrever só sobre filmes, mas enfim, é o que tenho feito...
Dessa vez, assisiti ao filme A massai branca, de Hermine Huntgeburth. O filme é excelente.
Trata-se de uma história de amor. Linda? Não. Feia? Muito menos. A história de um amor que pode ser escrito assim AMOR, com todas as letras maiúsculas.
Seria lindo e maravilhoso poder dizer que o amor vence qualquer fronteira, seja física, línguística, de gênero, cultural e outras tantas. Das que acabo de listar, creio que o amor sobreviva, e com boa vontade e colaboração mútua, até consiga superar alguns obstáculos. Mas a questão cultural é complicada. Podemos não perceber, mas estamos tão acostumados com nossa cultura, que é difícil viver em outra. Falo isso em teoria, na prática não sei como é.
Por que disse que a história é de AMOR? Porque a Massai Branca e o Massai negro, após alguns anos de amor, compreendem que chegou um ponto em que a vida juntos não faz mais sentido. Ela parte, ele deixa ela ir.
Lembrei de uma história que alguém que amo me pediu para ler. Chama-se O Pássaro Encantado, de Rubem Alves. É sobre amor e liberdade. Uma história perfeita!
Também acho linda a história de amor do filme O Fantasma da Ópera, o último feito, não lembro o nome do diretor, só lembro que o fantasma é Gerard Butler e Minnie Driver é a Carlotta. (eu sei que to conectado na internet e com alguns clics acharia tudo, mas tô com preguiça ponto). O fantasma compreende que Ms. Daee não ama ele, ama outro, mas não sente repulsa por ele, ao contrário, gosta dele como ele é. Então, ele deixa que ela viva seu amor por outro homem. O amor deles é verdadeiro.
Há outro filme de amor que eu amo (perdoem a repetição da palavra amor). Mas isso fica pra outro post, pois vale um texto enorme, hehe. Pra não ser muito chato, o nome é Imagine eu e você.
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