sábado, 14 de março de 2009

Dia da Poesia

Hoje, 14 de março, é DIA DA POESIA

Segue uma que eu adoro do poeta português Mario de Sá-Carneiro

Eu não sou eu nem sou o outro,
Sou qualquer coisa de intermédio:
Pilar da ponte de tédio
Que vai de mim para o Outro.


Adriana Calcanhotto musicou o poema e gravou no CD\DVD Público
Eu tentei achar um link no youtube, mas não consegui...

sábado, 7 de março de 2009

A paixão segundo G.H.

É esse o título do livro que acabei de ler. O livro mais difícil, denso e perigoso que já li. É um livro sem volta, depois que você leu, a vida não é mais a mesma. Caio Fernando Abreu escreveu, no conto Eles, que está no livro O ovo apunhalado, que ver é irreversível. Clarice Lispector, a autora do livro do título, faz com que vejamos.
A história é de uma simplicidade imbecil, até mesmo: uma mulher, G.H., entra no quarto que pertencera a sua empregada para arrumá-lo. Mas a empregado o mantinha arrumado, entretando não como ela gostaria. Ela se sente desolcada em sua própria casa. E vê uma barata, e sente medo. Então faz as mais profundas e simples divagações filosóficas sobre ser e existir. O que acontece com ela e a barata eu não conto, só lendo para saber.
Clarice é uma deusa, uma feiticeira, pois suas palavras enfeitiçam. Ela constroi, depois desconstroi e destroi para novamente construir e destruir e reconstruir e desconstruir. Ela acaba com o que há dentro de nós. E depois preenche. Ela escreve com as mais simples palavras, as coisas mais banais, mas vai fundo nas agonias de ser e existir. Podemos sentir a dor dela ao ler, a imensidão de sua compreensão de mundo e de pessoas, de almas, de ser, de existir, de transcender.
Confesso que tive medo.
Ler Clarice é uma experiência singular e imprescindível. Ler A paixão segundo G.H. é sofrer todas as dores da humanidade e crescer imensamente. É uma experiência de paixão.
Pra terminar este breve comentário louco, quero transcrever um pedaço do conto do Caio já referido:
"-Deixa que a loucura escorra em tuas
veias. E quando te ferirem, deixa que
o sangue jorre enlouquecendo também
os que te feriram."
Clarice o fez. Eu a feri. Ela me enlouqueceu.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Lembranças...

Estava eu pensando na vida, quando lembrei de uma antiga professora, da minha segunda série do ensino fundamental, que na época chamava primeiro grau. O nome dela era Cidi Sana (só não tenho mais certeza se se escreve assim). Ela era uma fera. Todos tinham medo dela. Entretanto, o que eu lembrei foi de uma determinada manhã, a seguinta a uma prova, em que fui chamado para a frente. Levantei e fui, com medo... Cheguei à mesa da professora e ela me mostrou minha prova e disse "Você esqueceu de fazer uma questão, faz agora" (Não sei se foi exatamente isso, mas foi mais ou menos parecido). Enfim, fiz a questão e fui sentar, ela corrigiu e devolveu minha prova e as dos demais colegas.
Hoje lembrei e pensei como ela foi delicada ao realizar tal ato, e como confiou em mim, afirmando que eu tinha esquecido e não que tinha deixado em branco de propósito. É realmente provável que seja verdade, quem me conhece sabe.
Pra terminar, hoje lembrei com carinho da minha professora da segunda série do ensino fundamental.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

"Não vim pra esclarecer nada. O que eu puder confundir, eu confundo"
Ney Matogrosso (1983)

http://www.youtube.com/watch?v=z14btKZQ4V4

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Carnaval

É, mais uma vez estamos na abonança do Carnaval. Quinta o Brasil começa a funcionar novamente...
Estamos aí nesta festa orgiástica, onde tudo pode, tudo é bonito, o importante é a folia e se deixar levar, afinal, depois serão 40 dias de resguardo. ?. Isso mesmo, um ponto final seguido de um de interrogação e outro final.
Não saio no Carnaval.
Nunca saí.
E provavelmente nunca sairei, mas nunca digo nunca, porque nunca é muito tempo.
Pessoas caindo de bêbadas, suadas, todas se esfregando... Tenho pavor disso.
Sim, sou fresco.
Preferia a transmissão do Oscar.
Tchau

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Tempo

O tempo é um tema recorrente. Que ainda recorrerá muito, creio...

Desta vez, um lindo poema de Mario Quintana

Olho as Minhas Mãos

Olho as minhas mãos: elas só não são estranhas
Porque são minhas.
Mas é tão esquisito distendê-las
Assim, lentamente, como essas anêmonas do fundo do mar...
Fechá-las, de repente,
Os dedos como pétalas carnívoras !
Só apanho, porém, com elas, esse alimento impalpável do tempo,
Que me sustenta, e mata, e que vai secretando o pensamento
Como tecem as teias as aranhas.
A que mundo
Pertenço ?
No mundo há pedras, baobás, panteras,
Águas cantarolantes, o vento ventando
E no alto as nuvens improvisando sem cessar.
Mas nada, disso tudo, diz: "existo".
Porque apenas existem...
Enquanto isto,
O tempo engendra a morte, e a morte gera os deuses
E, cheios de esperança e medo,
Oficiamos rituais, inventamos
Palavras mágicas,
Fazemos
Poemas, pobres poemas
Que o vento
Mistura, confunde e dispersa no ar...
Nem na estrela do céu nem na estrela do mar
Foi este o fim da Criação !
Mas, então,
Quem urde eternamente a trama de tão velhos sonhos ?
Quem faz - em mim - esta interrogação ?

Clipping

"...Por isso mesmo eu sempre torço nariz para oficinas, para debates e para qualquer tentativa de criar um método único e um conselho essencial para alguém se tornar escritor.
...Longe de mim também querer ensinar algo ao Sir Hatoum. Sei há muito tempo que escritores têm apenas o compromisso de escrever, quando abrem a boca muitas vezes dizem bobagem... como eu. Não precisam ter compromisso com caráter, com os bons modos, com o bom senso. Não acho que a opinião de um escritor conte muito. O que conta, para quem faz ficção, deve ser a imaginação. Não quero que questionem minha criatividade, o resto todo podem questionar...
...É um mercado muito restrito. Muito pouco profissional. Mas acho que ajudaria se escritores consagrados não abrissem a boca para aumentar preconceitos, para diminuir o público leitor, e para se auto canonizarem, como se tivessem a fórmula única da consagração.
..."

Clipping de alguns trechos de um texto escrito pelo jovem escritor Santiago Nazarian, que pode ser lido na íntegra em seu blog http://www.santiagonazarian.blogspot.com/